Revista Sarau: Uma Plêiade de Intelectuais – Vozes e Versos – Um Palco Conectando Histórias e Autores para a Literatura Cearense e Brasileira.
A
literatura é uma das mais poderosas formas de expressão cultural, e no Brasil,
cada região possui suas particularidades e riquezas que merecem ser celebradas.
Nesse contexto, a Revista Literária Sarau se destaca como um importante veículo
de divulgação da produção literária e artística dos intelectuais cearenses.
Desde sua criação, a revista tem desempenhado um papel fundamental na promoção
da cultura local, contribuindo para o fortalecimento da identidade cearense e a
valorização de seus autores.
A
Revista Sarau não apenas publica obras de escritores emergentes e consagrados,
mas também se propõe a ser um espaço de diálogo e reflexão sobre temas
contemporâneos. Por meio de suas edições, a revista apresenta poesias, contos,
crônicas, prosas, ensaios e críticas que abordam a realidade social, política e
cultural do Ceará, do Brasil e do mundo. Esse compromisso com a diversidade de
vozes enriquece o panorama literário do estado e oferece aos leitores uma ampla
gama de perspectivas.
Enfatizo
que a Revista Sarau tem um papel fundamental na formação de novos leitores e
escritores. Ao dar visibilidade a autores cearenses, a revista estimula o
interesse pela literatura local, incentivando jovens talentos a se expressarem
através das palavras. Essa troca entre autores e leitores cria uma comunidade
literária vibrante, onde as ideias circulam e se transformam.
Outro
aspecto relevante é o incentivo à pesquisa e à crítica literária. Por meio de
artigos acadêmicos e resenhas, a Revista Sarau contribui para o estudo da
literatura cearense, promovendo debates, saraus, recitais de poesias, tertúlias
literárias que ajudam a compreender melhor as nuances da produção literária da
região. Esse trabalho é essencial não apenas para reconhecer os talentos
locais, mas também para situá-los dentro do contexto literário nacional.
Em
síntese, a Revista Sarau é mais do que uma publicação literária; é um
verdadeiro catalisador da cultura cearense, pois ao divulgar os intelectuais
locais, artistas em geral, isto é, músicos, cantores, compositores, poetas,
artesãos, artistas plásticos, pintores, cordelistas, emboladores, cronistas,
escritores e suas variadas obras, ela fortalece a identidade cultural do Ceará,
fomenta o surgimento de novas vozes e enriquece o cenário literário brasileiro
na totalidade. Portanto, seu papel é indispensável para garantir que as
histórias e as artes do Ceará continuem sendo contadas e apreciadas, pois em um
mundo cada vez mais conectado, mas muitas vezes saturado de informações, a
Revista Literária Sarau se destaca como um farol de criatividade e reflexão no
cenário cearense. Sua contribuição para a divulgação da literatura local não
apenas enriquece o patrimônio cultural do Ceará, mas também fortalece as vozes
dos intelectuais que, através de suas palavras, narram as histórias e desafios
da região. Ao promover um espaço inclusivo e diversificado para escritores de
diferentes estilos e origens, a Revista Sarau não só fomenta a produção
literária, mas também constrói uma comunidade vibrante em torno da arte e do
conhecimento. Assim, a revista se consolida como um elemento polivalente
imprescindível para a valorização da cultura cearense, garantindo que as
histórias contadas em suas páginas ressoem além das fronteiras do estado,
contribuindo para o singular e plural mosaico literário brasileiro.
Élcio Cavalcante, Professor de História –
Fortim–CE, quinta-feira, 05 de setembro de 2024.
CHAMADA PARA A EDIÇÃO DE NOVEMBRO/DEZEMBRO DA REVISTA SARAU
LEIA AS EDIÇÕES ANTERIORES EM: https://revistasarau2.wixsite.com/website
NO CEARÁ É ASSIM... Nonato Nogueira
Na Fortaleza de concreto, pés descalços pisam o chão. Em terra batida a alma do poeta e do artista encontram a batida perfeita de um coração poético. Nossa cidade respira arte, poesia, cinema, teatro. Em nossa cidade habitam artistas destemidos, eternos cordelistas, gente talentosa, com seus fios finos de cabelos se entrelaçam no fio invisível dos versos e das rimas de um cordel ou de um livro de poesia. Nossa cidade é um conto, uma eterna crônica que encanta o ator, o diretor, o artesão. Conheça a história de cearenses que tecem poesia na sua arte todos os dias.
Um dia o Teatro abriu suas
portas ao Mestre Djacyr de Souza, com suas lentes de fotógrafo amador, o
professor, poeta, ator e sonhador transformou o espaço da, um local onde “em
cena se ensina”. Aberta ao público da cidade, a exposição reuniu fotos
coloridas de datas e períodos diversos. O nobre
artista sempre se preocupou com os rumos do nosso teatro e sempre achou que os
artistas são heróis desta história. Porém, às vezes, passam pela cena sem serem
reconhecidos. A exposição “Em cena se ensina” procurou mostrar registros
fotográficos de uma arte nobre e extremamente necessária em todos os momentos
de nossa vida. Na verdade, foi um convite a ver o teatro e enaltecer aqueles
que cuidam de gerar ensino a partir da expressão, da voz, da dramaturgia, dos
figurinos, da coreografia, da iluminação, da sonoplastia e do público. A cena
não se basta, há seres humanos cuidando dela e tudo é simplesmente um dos
maiores legados da humanidade para ela própria.
Durante a abertura da exposição que aconteceu no mês de abril de 2022,
Djacyr de Souza, abriu a exposição com a apresentação de sua performance
intitulada “É Freire, é Ternura”, com dramaturgia, direção e encenação feita
pelo próprio artista. O ator, diretor e produtor cultural, que também já
traduziu Mandela para o teatro, com seu grito de liberdade e justiça social, um
dia também já foi Mário Gomes, João do Vale, o poeta do povo.
Nosso
dileto escritor, professor, ambientalista e locutor profissional é um
apaixonado pelo Rádio. Foi presidente da Associação de ouvintes de Rádio do
Estado do Ceará e um dos percussores das Rádios Comunitárias no Ceará.
O TEATRO CHOROU
Em abril de 2024, o teatro perdeu Giovanni Marsallis (1966-2024), nome artístico de Jeová Martins. Durante sua vida foi diretor, ator, dramaturgo, cineasta, roteirista e produtor.
Ao longo de sua carreira, o multiartista
ministrou aulas em diversos cursos, entre eles o de Preparação de Atores em
Teatro e TV, no Theatro José de Alencar. Dirigiu peças, como “Medeia” e a
“Nova e Velha História”, de Eurípides, ajudando na formação de inúmeros atores
e atrizes do Ceará.
Sua trajetória inclui ainda a interpretação de poemas húngaros em tradução portuguesa, unindo música, dança, poesia e atividades como roteirista na Noca Produções.
ARTE DE RESISTÊNCIA
Nonato Araújo, um homem cuja descendência Anapuru Muypurá, transcende as fronteiras da cultura popular. Sua alma indígena é carregada de pura poesia que se materializa na arte. Não uma arte cega, mas uma arte de olhos bem abertos, uma arte irreverente. Imagine uma pintura de um Saci que em seu estado natural, uma obra considerada imoral pelos conservadores de plantão. A irreverência do artista, nascido no povoado Boa Esperança, distrito de São Bernardo no Estado do Maranhão, é gigante como seu nobre coração.
Será
que a arte rebelde é ilegal, é imoral ou engorda? Nosso criador de rabecas
rústicas e de belas xilogravuras afirma que não. Ele ri dos caretas, faz careta
para os bestas.
Esse
menino gigante, pai de um tal Raimundim, boneco falante, é o caçula de
12 irmãos. Como todo Nordestino é forte como um mandacaru, resistiu bravamente
a seca. Ao lado de sua mãe e de seus irmãos trabalhou desde cedo na lavoura do
milho, arroz, mandioca, feijão, fumo e algodão.
Um dia
decidiu enfrentar a cidade grande. No início ralou muito na capital do
Maranhão, trabalhou como vendedor de cartela de bingo, como pedreiro e até na
construção civil. Como dizia o poeta: “Era ele que erguia casas, onde antes só
havia chão. Como um pássaro sem asas, ele subia com as casas, que lhe botavam
da mão”. Com os calos na mão, Nonato levantava as paredes de taipa das casas
humildes do Bairro Areninha.
Em 2001, o pássaro soltou asas e voou, no seu voo ligeiro chegou em Fortaleza, começou como fotógrafo, depois como Artista Plástico. Já participou de diversos eventos artísticos no Brasil e no exterior. É uma figura bastante conhecida nos movimentos sociais, artísticos e culturais.
UM ARTISTA NATO
Carlos Nascimentto é natural de Amontada-CE. Um artista nato, aos 10 anos começou ler os clássicos da Literatura de Cordel deste Leandro Barros até Patativa. Na casa de seus avós paternos viu muitas farinhadas e cantorias. E em casas de seus tios maternos presenciou reisados, cirandas, folguedos de terreiro e histórias de Trancoso, Camões, Malasartes e João Grilo.
Quase sempre um autodidata, aprendia tudo
muito rápido. E por seu espírito rebelde e criativo, em Fortaleza, em pleno
Regime Militar, transgrediu em todas as Escolas por onde passou, sendo expulso
de uma delas como "aluno indesejado”. Esse rapaz rebelde cursou Pedagogia
na UECE. Foi Professor de Artes. Sua vida é uma arte, em verso e prosa. Um
artista nato. Esse é Carlos. De 1984 até os dias atuais vem acumulando muitos
prêmios.
Esse poeta e artista visual possui
dezenas de Menções Honrosas, e participações em verso e prosa em mais de 20
Coletâneas físicas ou digitais. No mundo publicitário teve uma participação
valiosa. Foi sócio presidente da N&G Comunicação e Marketing, onde na
década 80 produziu produtos diversos para o mercado. Foi finalista do Concurso
Internacional para a criação da logomarca do Directory Internacional of Writers
and Artists, sediada na University of Colorado, at Bolder, USA.
O poeta, artista e publicitário também
brilhou no universo musical. Em 1987 foi premiado com o melhor samba de enredo
do Carnaval de Itapipoca. Em 1991 obteve o 1° lugar - melhor samba de enredo do
Carnaval de Itapipoca pela Escola Vila da Imperatriz. Tirou o 3° lugar no FIC -
Festival Imperatriz da Canção - lugar que causou revolta na cidade, com
manifestos escritos e declarações em rádio, ante o suposto erro dos jurados. Em
2013 foi premiado com o 1° lugar nacional de letras entre mais de 3.000 concorrentes,
para compor sobre melodia de Daniela Mercury e sob patrocínio da Mastercard -
2013.
Nas artes visuais participou de
exposições coletivas e individuais. A mais recente foi a 13ª MOSTRA 8 DE MARÇO
- Desenho - CCBNB -ASSOCIAV - Galeria BNB - Fortaleza - 2024.
Publicou no Jornal O POVO mais de 6O
poemas e contos entre a década 80/90. É autor de vários livros e participou de
antologias e revistas diversas.
Esse é Carlos Nascimentto, um homem
completo. De poeta a professor, de artista a líder sindical. Um homem que não
para de produzir. Um ator social, do tempo presente.
A ROSA DAS LETRAS E DA ARTE VISUAL
Rosa Morena é natural de Itapipoca-CE.
Graduada em Pedagogia pela Universidade Estadual do Ceará, com Especialização
em Organização e Gestão da Educação Básica pela Universidade Federal do Ceará.
Formação em Arteterapia pelo Instituto Aquilae. Aluna na Especialização em
Arteterapia e Arte-Educação na Universidade de Fortaleza -UNIFOR
Essa escritora, possui dez livros publicados e é uma artista visual que transita pela colagem e aquarela. Em 2019, recebeu o 1° lugar no XXI Prêmio Ideal Clube de Literatura - Prêmio José Telles, com o conto A Fragilidade dos Laços e teve o seu conto A Terceira Morte selecionado no Prêmio de Literatura da UNIFOR, na categoria Trabalhos Inéditos. Em 2021, foi selecionada no Prêmio Off Flip também na categoria conto. Participou de diversas antologias e tem publicações nas revistas: Revista Cultural Traços, Ruído Manifesto, Contos de Samsara, Mirada Janela e Mal de Ojos (Internacional). Organizou as coletâneas “Toda palavra sentida” e “Cenas para escrever teus olhos”, onde é também coautora.
Em 2022 publicou o livro de contos “Do
Outro Lado da Rua”. Esse livro teve um profundo comentário feito pela
jornalista Mônica Silveira:
"Do Outro Lado da Rua", livro de estreia no gênero do conto da talentosa escritora Rosa Morena. A solidão dos sentimentos, a solidão do medo, a solidão da traição, a solidão do abandono, a solidão do luto, a solidão da dor. Mas não se assuste, o livro, embora forte, aborda esses temas com leveza, com frases curtas e acima de tudo com muita poesia”.
E como diz o prefaciador da obra, o premiado escritor Carlos Vazconcelos, para a autora não basta contar histórias. Um escritor precisa criar arte, tocar o coração. E se você é desses leitores que gostam que toquem seu coração, nos livros da Rosa você encontrará uma excelente leitura!
MESSIAS NASH
Em abril de 2024 um acidente fatal provocou a morte de Messias Nash, nome artístico de Manoel Messias Rodrigues Costa. Esse jovem professor e mestrando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará, deixou uma rica produção literária.
Para o
jovem atleta e praticante do ciclismo há uma
atmosfera muito nova em "O Despertar de Um Dia". Há uma incontestável
fome do povir, acompanhada de um entendimento maduro do passado.
Messias era alegre, divertido, amigo de
todos. Sua obra “Reflexos de um olhar”, trata de um olhar muito singular sobre
as relações cotidianas, sobre o modo como trocamos nossas vidas com as pessoas
e as coisas transformadas pelas mesmas e outras pessoas. Trata-se de um
reencontro com suas dores, com suas angústias, com seu afã transformador diante
de uma sociedade que adoece um pouco a cada dia. Mais do que uma compilação de
escritos produzidos ao acaso, é o registro de uma alma que busca, incessantemente,
manter e alimentar o senso crítico acerca do mundo ao seu redor, nas
possibilidades de florescimento e aprofundamento das relações.
O jovem escritor era também um crítico do sistema. Em sua obra "As armas do capitalismo", conta a história do capital em uma visão Marxista e Hobsbawniana, revela a magia capitalista em seus pormenores, desde o fim do feudalismo até o início da globalização. O livro narra como o capitalismo surge, desenvolve-se, transforma-se, multa-se, molda-se, adapta-se, e cria perspectivas, estruturas, gostos e necessidades nessa sociedade condenada a submergir em seus encantos e armadilhas.
CORDEL VIVO DE MARIANA E O RISO DE JOVELINA
Maria de Lima é o nome artístico da cordelista, filósofa, dramaturga e arte educadora Maria Pastora de Lima, que por vezes também se apresenta como Jovelina Ceará, uma personagem que criou para suas performances teatrais ligadas ao humor, outra grande paixão sua.
Natural de Amontada-CE,
filha de pais agricultores, Mariana teve "o seu grande encontro" com
a Literatura de Cordel ainda criança. Naquele longínquo rincão, a arte se fazia
presente, nas noites de lua ou debulhas, escutava, declamava e criava seus
próprios versos. Nessas noites e dias de sonho nasceu a artista, a escritora
Mariana de Lima.
Mariana de Lima possui 6 obras publicadas
em Literatura de Cordel. Durante a pandemia escreveu os cordéis intitulados
como: E AGORA MULHER? Um cordel que aborda a questão do machismo que por
ocasião do isolamento social teve um grande números de violência doméstica, e
outro sobre o coronavírus. Mariana de Lima é autora de duas peças de Teatro
(comédia crítica) que abordam problemas sociais; "Quatro Mulher e Uma
Fofoca" e ' A Dança dos Falidos".
Em suas práticas e escritas têm se aliado a muitas mulheres escritoras, especialmente como parte da “Rede Mnemósine de Mulheres Cordelistas, Cantadoras e Repentistas”, entidade com ações no Brasil e em Portugal, que também é um movimento nacional atrelado à produção feminina na Cultura Popular e tem propiciado a Mariana e diversas outras mulheres a difusão, publicação e expansão de ações em coletividade feminina.
O HOMEM DOS GALOPES
Chico Fábio é o nome artístico de Francisco Fábio Bezerra Tomaz, poeta cordelista nascido em Crateús -Ce. Escreve poesias populares utilizadas sobretudo por cantadores, como, galopes à beira mar, martelos e outros estilos, deixando claro que não é improvisador e sim poeta de bancada. Atualmente consta no livro Política na Literatura de Cordel, do grande pesquisador e jornalista cearense Alberto Perdigão, com o cordel O golpe (sobre Dilma Roussef). Tem trabalhos publicados na coletânea de Gilmar de Carvalho, de 2012, editada pela Fundação ao Demócrito Rocha chamada de Cordel Canta Patativa; na coletânea do Nando Poeta de Natal RN, versando sobre o tema Ditadura nunca mais (a ser lançada em breve). Chico Fábio já conta com cerca de 80 cordéis publicados, e mais um no prelo a ser lançado em breve intitulado Cordel do Fim do mundo, em 62 sextilhas, onde faz uma reflexão sobre o aquecimento global e avanço da Inteligência Artificial, que pode desencadear o fim dos tempos.
E OS PARDAIS?
Como voaram alto os seus sonhos!
Quando era pardalzinho
Suas asas alçavam
Voos elásticos
Voos fantásticos
Gerardo Pardal, um piauiense de Campo
Maior, radicado em Fortaleza. É professor, poeta, escritor, cordelista e
trovador. Membro da Academia Piauiense de Literatura de Cordel e presidente do
Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste – Cecordel. É autor dos livros: “São Francisco do Povo: ontem e hoje”, editado pela Editora Vozes
em 1987; “Cultivos da Terra cantados em versos populares”, pela Editora La Barca, 2010 (Prêmio Mais Cultura Patativa do Assaré pelo
Ministério da Cultura); “A borboleta Lilica e o Grilo Criqui”, Prêmio
PAIC pela Seduc CE, 2011. Autor de mais de 90 títulos de cordéis educativos e
de crítica social, abordando tema ligados à natureza e defesa da vida. Prêmios:
Seduc-CE.UBT-CE. ABLC-RJ, SECULT, UFPB, Volvo do Brasil e outros como
cordelista e trovador.
A ARTE DE SER
Luís Carlos Rolim de Castro (Lucarocas)
é editor, escritor, professor, poeta, comunicólogo, artista
eclético. Nasceu em Fortaleza – Ceará. No sangue traz a nuance da arte, da
criação e diversidade produtiva, elementos herdados do pai artista circense.
Desde cedo tem a leitura como hábito. Cresceu lendo e ouvindo literatura.
Esse escritor e poeta é Membro do Centro de Cordelista do Nordeste – CECORDEL, da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza – AMLEF, atualmente na função de Secretário, onde ocupa a cadeira de número onze, e tem como patrono Patativa do Assaré. Membro coordenador do Pró-cordel, o Cordel em movimento, e é sócio honorário da SOBRAMES – Sociedade de Médicos Escritores. Sua produção de cordel possui mais de quatrocentos folhetos publicados. Alguns dos seus trabalhos estão gravados em áudios em CDs Intitulados: Íntimo Amor Utópico; Sedução Prazer do Amor; Encontro Visão de Luz; Diversos Risos; A Mala de Prosa e Versos.
POETA, CORDELISTA E XILÓGRAFO
Guaipuan Vieira é poeta cordelista, xilógrafo e radialista. Desde 1976 se dedica à literatura de cordel. Autor de vários folhetos de cordel, alguns premiados e com destaque na imprensa nacional e internacional. Cordéis que focalizam o apocalipse figuram no corpo da tese de doutorado da professora Emmanuelle Delebosse, da Universidade Antilles Guyane, de Martinique, França. Autor de canções gravadas pelos repentistas Antônio Jocélio e Zé Vicente. Em 1987, fundou o Centro Cultural dos Cordelistas do Ceará – Cecordel, entidade que contribui sobremaneira para o enriquecimento do cordel no Nordeste. Recebeu da Casa de Arte ASAUF (UFC) o certificado “Cidadão 92", destacando-se como poeta da resistência, por ter contribuído com o Movimento de Poesias do Ceará do Polo Cultural do Benfica. Em 2004, no Festival Internacional de Cantadores, em Quixadá – Ceará, foi outorgado pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com a Medalha de Mérito pelo reconhecimento do trabalho prestado em prol da Literatura de Cordel no Ceará.
A ARTE DE JORGE
Jorge Alfredo de Oliveira Furtado é um poeta de estilo livre e cordelista de grande lavra. Tem publicados: Casulo de esperanças (2000), O sertão dos lampiões e a capitá dos apagões (2001 – capa de Audifax Rios), Poemas para quem crê no amor (2004), Lamentos de um candidato (2008), Romance e martírio da bela Inês de Castro – em parceria com Klévisson Viana (2014), Patativa do Assaré – pássaro eterno (2010), Paulo Freire, o pedagogo dos oprimidos (2012), Binho, o menino que aprendeu a amar os passarinhos (2013), Sublimação – em parceria com o Poeta de Meia Tijela (2015), Espelhos (2016), O menino e o ukulelê e outros poemas (2018). Tem poemas e cordéis nas coletâneas Explosões de poesias – Macaé – Rio de Janeiro (1990), Antologia poética cearense (1999), Poetas da Praça do Ferreira – organização de Márcio Catunda (2018), Almanaque Literário do Ceará (2019). Foi laureado com o segundo lugar no certame literário Prêmio Gerardo Dimas Mateus. com o cordel Lamentos da natureza – cidade de Russas – estado do Ceará (2011), Menção honrosa na Antologia Poética do Ideal Clube de Fortaleza, com o poema “Balada ao forasteiro” (2010).
A SAGA DE UM CANTOR, ATOR E POETA
O trabalho de Costa Senna é composto por literatura de cordel, música, provérbios, 'causos', informações e brincadeiras que formam o universo cultural brasileiro.
Nascido em Fortaleza, radicado em São Paulo, Costa Senna aborda em seu
trabalho temas socioculturais, ecológicos e multidisciplinares. Em suas
performances mostra a versatilidade de um artista que traz na alma a linguagem
de fazer o povo rir e pensar.
Iniciou sua vida artística no final da década de 70,
tendo saboreado na infância e parte da adolescência, da genialidade dos
repentistas, contadores de histórias, sanfoneiros e cordelistas.
No teatro atuou em várias peças, e no cinema, no curta
metragem, As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thoth, de Jairo
Ferreira. Foi personagem dos documentários sobre Paulo Freire, "Educar
para transformar" e “Nísia, Paulo e Josué – oficina de memória”, ambos da
cineasta Tânia Quaresma.
Atua representando, declamando, tocando violão, cantando... em trabalhos
solo ou acompanhado por seu Grupo Unir Versos. Gravou os CD's “Moço das
Estrelas”, “Costa Senna em Cena”, “Fábrica de Unir Versos”, “Cante Este Refrão
Por Aí” e “A Palavra Despida”.
Esteve em programas da TV Globo, TV Cultura, TV
Record, TV Gazeta e em outras emissoras. Vários jornais e revistas do país
publicaram matérias sobre o seu trabalho. Foi um dos apresentadores dos Cem
Anos da Literatura de Cordel no Brasil, no SESC Pompéia - São Paulo.
Foi um dos fundadores e curador do Sarau Bodega do
Brasil, que incentiva, divulga e forma público para as manifestações
artísticas, e o levou a ser um dos representantes do Brasil na 40ª Feira
Internacional do Livro de Buenos Aires, em maio de 2014.
Cantor e compositor, Costa Senna funde o universal
ao regional, com influências tão inusitadas como Luiz Gonzaga, Raul Seixas,
Belchior, Alceu Valença, o rap urbano e o repente dos grandes cantadores
nordestinos. Como humorista, fez sucesso com o espetáculo Ria até cair de
Costa.
Nonato Nogueira é mestre em História e Culturas pela
Universidade Estadual do Ceará (UECE) e autor de livros de Literatura
Infantojuvenil e didáticos de Filosofia para crianças e adolescentes e de
História. Organizou cinco antologias de poemas, crônicas e contos. É autor de
três livros de poemas, publicados de forma independente. Escreve poemas e
crônicas. Seu último trabalho é o livro de contos O homem que morava dentro
de si.
Leia mais em: https://www.calameo.com/read/007511250a2b50e0f73f4
Editorial da Revista Sarau. Volume 4 - número 10 - setembro/outubro de 2024
Assistimos com alegria a Olimpíada de
Paris 2024, onde atletas de diferentes origens demonstraram a humanidade,
solidariedade, igualdade entre os seres humanos, validando a regra sagrada da
vida de que pouco importa a raça, religião, cor, ofício de cada um. Esses
atletas evidenciaram, para o mundo inteiro, a importância da superação de
obstáculos, a busca da excelência, a valorização da união entre os povos e
vivenciaram o espírito esportivo. De fato, os Jogos Olímpicos sempre inspiraram
a unidade entre membros de sociedades distintas, múltiplas e até contrastantes.
A integração se realiza através do respeito ao outro e se consuma com a
plenitude e o sentimento de amizade.
A beleza e a alegria experimentada na
Olimpíada Paris 2024 exige que retornemos às origens dos Jogos Olímpicos, em
Olímpia, na Grécia Antiga. Promovidos em homenagem a Zeus e acompanhados de
festivais religiosos e artísticos, como a música e a poesia, foram destaque nas
obras Ilíada e Odisseia, de Homero, que ressaltou a
tradição oral, a cultura grega e várias modalidades de jogos. Da Grécia Antiga
aos dias atuais muita coisa mudou, mas os princípios básicos permaneceram. Os
Jogos Olímpicos marcam um período em que as competições entre atletas de
diversas cidades/estados/países dão trégua às guerras, conflitos e promovem a
Paz e a Unidade entre os povos, onde cada um dá o melhor de si.
A cada bimestre, através de seus
colaboradores - “Atletas Escritores e Artistas” -, a Revista Sarau procura dar
o melhor de si presenteando seus leitores com textos literários (contos,
crônicas, poesias, resenhas,...), gravuras-pinturas-fotografias, revelando
novos ângulos de escritores/ artistas renomados, bem como irradiando novas
luzes a uma safra de inovadores artistas em seus mais variados ofícios. Assim
como a Olimpíada Paris 2024, a Arte nos oferece momentos mágicos, nos
convidando a saber perder e a saber ganhar, a saber dividir e a saber
multiplicar, dando-nos o encantamento pela Vida, pela Paz e pela Unidade entre
os povos. A Revista Sarau se empenha e convida cada um de seus leitores a ser
essa ponte entre os jogos esportivos e o mundo lúdico, entre o mundo real e o
mundo imaginário.
Congratulamos cada um de nossos atletas
brasileiros, como aqueles que receberam a premiação de Medalha de Bronze,
Medalha de Prata e, de modo especial, a Rebeca Andrade, a Beatriz Souza, Ana
Patrícia Ramos, Eduarda “Duda” Lisboa pelas Medalhas de Ouro. E vamos rumo aos
Jogos Paralímpicos 2024!
Tenham todos uma boa leitura!
Leia mais em: Revista Sarau
O HOMEM QUE MORAVA DENTRO DE SI
O vento forte chegou de repente, trazendo
folhas do benjamim. Entre as folhas secas, os passos lentos do deambulante
poeta de alma livre.
O poeta chegou com o vento. Com a fúria
do tempo, contemplou as capas de revistas masculinas. Não comprou nada. Apenas
olhou em silêncio os sorrisos mecânicos. Seguiu na direção de seu escritório.
O homem trôpego caminhou devagar. Em
silêncio, caminhou entre as pessoas. Com a boca muda, mastigava as palavras.
Ele se vestia com elegância, calça, camisa, casaco e sapatos usados. O viajante sem rumo, poeta galanteador, era solteiro. A vida lhe negou uma mulher. Não tinha filhos. O eterno menestrel não tinha emprego. Vivia no ócio, alimentando-se de poesia. Sem formação superior completa, levava a vida cheia de vícios. No bolso do casaco, além da cachaça, levava muita poesia.
Mário Gomes era seu nome. O poeta da praça. Uma grande dicotomia: nas manhãs era um homem bom, nas tardes um homem mau, nas noites de boemia, apenas um poeta maldito.
Esse homem que afrontava o poder abusivo era
visto por alguns indivíduos como um santo. Outros, no entanto, consideravam-no
um bandido. Para os amigos da praça, era um herói. Para os incrédulos, era o
anti-herói da cidade.
Em silêncio, chegou ao seu escritório, o
velho banco da praça. Era um local aprazível, sob a sombra de um benjamim.
Nesse canto da praça, escreveu seus poemas. Viveu aventuras.
Nessa tarde poética, passou pela praça o
poeta Costa Sena. Sentou-se ao lado de Mário Gomes. Os dois amigos passaram o
resto da tarde conversando.
─ Mário, você tem alguma
preocupação?
─ Meu chapa, minha única
preocupação é não me preocupar com nada.
Depois de uma longa conversa Costa Sena
abraçou o velho amigo. Seguiu seu caminho e deixou o poeta delirando com seus
mil versos imaginados.
No fim da tarde, Mário Gomes comeu um
prato de lagartas e passou a noite inteira defecando borboletas.
Depois da Ave-Maria, como era habitual, o
poeta fechou seu escritório. Fechou-se do mundo. Mergulhou sozinho na sua
desgraça. Tomou um gole de sua cachaça. Acendeu um cigarro e fugiu de si.
O poeta andarilho caminhou pela praça
devagar. Na lentidão do tempo cumprimentou os amigos. Seguiu na direção do
Centro Dragão do Mar.
Ao cruzar a Praça dos Leões, uma senhora
pagou-lhe um lanche.
─ Mário, você é morador
de rua?
O poeta indignado, questionou:
─ A senhora, aonde é que
mora?
Ela respondeu morar numa rua próxima à
Praça.
─ Então, a senhora mora
na rua? Eu não sou morador de rua. Eu moro dentro dos meus pensamentos.
A mulher silenciou. O poeta seguiu seu
caminho. Desceu pela Rua São Paulo, atravessou a Sena Madureira e desapareceu
com o vento.
Conto premiado com
menção honrosa no XXIII Prêmio Ideal Clube de Literatura 2023 – Prêmio José
Teles.
Revista sarau - volume 4 nº 6 - jan./fev. de 2024 - ISSN 2965-6192
EDITORIAL
Qual
a validade de uma semente? Será que ela tem prazo de validade a expirar?
Germinarão as sementes independentemente do tempo e das estações? Há notícias
de sementes encontradas em túmulos antigos no Egito que germinaram, pois bem
armazenadas, superando as condições adversas.
Autores
e obras são como sementes e frutos, que por vezes são esquecidos em livrarias
ou sebos, sem que ninguém os escolha para ler. E a homenagem da Revista Sarau, nesta
edição, a Hilda de Almeida Prado Hilst (Hilda Hilst), José Manfredini Junior
(Renato Russo), José Maria Moreira Campos (Moreira Campos), Flávia Suassuna e
Ariano Suassuna confirmam-nos que sementes bem armazenadas sempre brotam e oferecem
muitos frutos!
Romances
como A Obscena Senhora D e O Caderno Rosa de Lori Lamby
revelam a ousadia, a introspecção, a criatividade e a atualidade de Hilda
Hilst, que insere em sua obra temáticas como a prostituição infantil consentida
pelos pais, questionamentos existenciais, o universo feminino.
Renato Russo destaca-se em nossa cultura como
cantor, compositor, produtor, líder e fundador da Banda Legião Urbana. Fenômeno
na famosa Era de Ouro do Rock, suas músicas são objeto de estudo,
regravadas e adaptadas ao cinema (Faroeste Caboclo, Somos
tão jovens, Eduardo e Monica).
Moreira Campos, escritor cearense,
com contos traduzidos para várias línguas, conquista vários prêmios e leitores,
por sua escrita econômica, concisa. Comenta-se que suas últimas palavras,
dirigindo-se à sua esposa D. Zezé, foram versos de Camões: “... para tão
longo amor tão curta a vida”.
Ariano Suassuna e Flávia Suassuna
possuem em comum o sobrenome, são cativantes palestrantes, possuem a
imortalidade da Academia Pernambuco de Letras e a riqueza no
processo de criação. Ele, fundador do Movimento Armorial e autor
do Auto da Compadecida; ela, autora do primeiro romance
pernambucano escrito por uma mulher, Jogo das Trevas.
Então, vamos à leitura e boa colheita para todos!
EDIÇÕES DA REVISTA SARAU - v.1 n.1( julho/agosto de 2021)
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